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Santa Catarina - IX Seminário Catarinense de Ensino Religioso

Quinta-feira, 9 de novembro de 2017

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Especialistas defenderam a desconstrução da matriz colonial durante o 9º Seminário Catarinense de Ensino Religioso, realizado nos dias 10 e 11 de novembro, no auditório do Instituto Federal Catarinense (IFSC), campus Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí.

“A desconstrução da matriz colonial só avança na medida em que os movimentos sociais reelaboram e consolidam princípios não coloniais de saber, de poder, de ser e de viver”, afirmou Reinaldo Matias Fleuri, pesquisador da UFSC/CNPq.

Segundo Fleuri, no caso do saber é preciso descontruir o mito da ciência universal.

“Somos herdeiros de um pressuposto de que existe um saber universal, transmitido a todas as pessoas, independentemente das diferenças culturais, isso logicamente induz à subalternização e a dominação dos outros saberes”.

O pesquisador também propôs a desconstrução do ser.

“O colonizado é desacreditado pela sua cor e raízes ancestrais, por isso questionamos o pressuposto racista e o caráter monocultural dos estados, para que os povos originários reconheçam criticamente os processos de subalternização a que foram submetidos”, justificou Fleuri.

Além disso, o professor da UFSC questionou a visão binária legada pela cultura ocidental que contrapõe a natureza à sociedade.

“Enfatizamos o mundo físico e o humano, descartando o universo mágico que dá sustentação aos conhecimentos dos povos ancestrais”, argumentou Fleuri, que incitou os educadores a “reconfigurar as micropolíticas das relações escolares cotidianas”.

Maria Cecilia Garcez Leme, doutoranda da FURB, concordou com o professor Fleuri.

“O Brasil não é católicocêntrico, não é cristocêntrico, não eclesiocêntrico e nem teocêntrico exclusivamente, vivemos em um país multirreligioso e isso é um desafio para convivência das diferenças crenças e não crenças”, pontuou Maria Cecília.

Para a pesquisadora da FURB, é preciso aceitar o pluralismo religioso.

“No exclusivismo a minha fé é a melhor, a única, as demais estão aí, mas a minha é a que vale, nem quero conversar, enquanto o pluralismo religioso reconhece e assume a multirreligiosidade existente no país”, avaliou a doutoranda.

Para Maria Cecília, o professor de ensino religioso deve ter uma postura indócil “para enfrentar os processos de colonização de que somos herdeiros”, além de adotar uma perspectiva metodológica relacional, com ênfase na conversação e na convivência.

“Temos de recusar os conteúdos religiosos proferidos e legitimados pelos poderes eclesiásticos, gerar novos discursos pedagógicos e analisar a realidade do ensino religioso no Brasil a partir da sua totalidade, compreendendo as raízes coloniais do atual modelo, por isso propomos um ensino religioso que recupere a festa, a alegria e o riso: um ensino religioso brincalhão”.

 O IX Seminário Catarinense de Ensino Religioso foi organizado pela Associação dos Professores de Ensino Religioso de Santa Catarina, em parceria com a Comissão de Educação da Assembleia e com a Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira.

“A partir da comissão criamos um  espaço maior de interlocução com a sociedade, foram muitas idas e vindas até chegar ao dia de hoje, às vezes têm muralhas para a gente desistir, mas nós não desistimos”, declarou Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Educação, referindo-se às dificuldades para viabilizar o seminário.

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Fonte: Associação de Professores de Ensino Religioso do Estado de Santa Catarina - Agência AL


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